Um dos 3
GRANDES RALOS de nossas RIQUEZAS NO NORDESTE.
SUDENE.
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A criação da Sudene
A Superintendência
do Desenvolvimento do Nordeste, criada pela Lei no 3.692, de 15
de dezembro de 1959, foi uma forma de intervenção do Estado no Nordeste, com o
objetivo de promover e coordenar o desenvolvimento da região. Sua instituição
envolveu, antes de mais nada, a definição do espaço que seria compreendido como
Nordeste e passaria a ser objeto da ação governamental: os estados do Maranhão,
Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia
e parte de Minas Gerais. Esse conjunto, equivalente a 18,4% do território
nacional, abrigava, em 1980, cerca de 35 milhões de habitantes, o que
correspondia a 30% da população brasileira.
A criação da Sudene
resultou da percepção de que, mesmo com o processo de industrialização, crescia
a diferença entre o Nordeste e o Centro-Sul do Brasil. Tornava-se necessário,
assim, haver uma intervenção direta na região, guiada pelo planejamento,
entendido como único caminho para o desenvolvimento.
Como causa imediata
da criação do órgão, pode-se citar uma nova seca, a de 1958, que aumentou o
desemprego rural e o êxodo da população. Igualmente relevante foi uma série de
denúncias que revelaram os escândalos da "indústria das secas":
corrupção na administração da ajuda dada pelo governo federal através das
frentes de trabalho, existência de trabalhadores fantasmas, construção de
açudes nas fazendas dos "coronéis" etc. Ou seja, denunciava-se que o
latifúndio e seus coronéis – a oligarquia agrária nordestina – tinham capturado
o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), criado em 1945, da
mesma forma como anteriormente tinham dominado a Inspetoria de Obras Contra as
Secas, de 1909.
No esforço de
criação da Sudene estiveram presentes empresários industriais, políticos
interessados no desenvolvimento industrial da região, representantes de forças
populares e de esquerda - como Francisco Julião, das Ligas
Camponesas -, além de membros da Igreja envolvidos em ações de combate à
pobreza - como D. Eugênio Sales e D. Helder Câmara. Todas essas forças se
uniram contra aqueles que defendiam o latifúndio, tinham tomado conta do DNOCS
e eram contra a criação do novo órgão. A Sudene pode ser tomada assim como
exemplo empírico da divisão existente na sociedade brasileira, segundo as
análises produzidas pelo ISEB.
A Sudene foi criada
como uma autarquia subordinada diretamente à Presidência da República, e sua
secretaria executiva coube a Celso Furtado. De 1959 a 1964,
Celso Furtado foi responsável pela estratégia de atuação do órgão, definida a
partir do diagnóstico apresentado em seu livro A operação Nordeste,
de 1959.
A partir de 1964 a
Sudene foi incorporada ao novo Ministério do
Interior, e sua autonomia, seus recursos e objetivos foram enfraquecidos e
deturpados. A Sudene foi fechada em maio de 2001, a partir de denúncias de que
estava favorecendo clientelas.
Órgão criado para
diminuir as diferenças entre o Nordeste e o Sul-Sudeste, a Sudene falhou,
segundo a análise do sociólogo Francisco de Oliveira. O número de empregos indústrias
criado foi insuficiente para resolver os problemas estruturais da região, os
padrões de miséria foram mantidos, e as migrações não cessaram. Em termos de
concentração de renda, nada mudou.
Durante os 42 anos
de existência (1.959 a 2.001) 70% dos recursos alocados pelo governo central
para a SUDENE foram desviados para obras inaptas, sem fundamento, na realidade
para alimentar o RALO da corrupção que criou grandes fortunas no Nordeste,
muitas das quais são famílias políticas que se mantém no poder hereditário até
hoje, graças ao dinheiro fácil e volumoso tirado (oficialmente) em nome da
maldita seca nordestina;
Existem mais dois
importantes RALOS, sumidouros das riquezas do BR no NE – DNOCS e Banco do
Nordeste.
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