Há 11,5 mil anos, o planeta Terra deixava de enfrentar um período glacial. Com temperaturas mais altas, os humanos começaram a povoar todos os cantos. O cenário, no entanto, não era de estabilidade completa do clima. Eventos climáticos extremos e abruptos causavam derretimentos de geleiras, quebras de lagos glaciais, atividades vulcânicas, períodos de seca e de umidade, de frio e de calor alternados, que afetaram a vida de comunidades antigas que viveram no Brasil.
Um artigo de pesquisadores da USP e da UFRGS aponta que muitos destes povos optaram por abandonar seus territórios de origem em vez de tentar se adaptar às mudanças climáticas. É importante destacar, porém, que as alterações no clima a que os cientistas se referem, de milhares de anos atrás, não são como as que estão acontecendo no século 21.
"As mudanças climáticas de hoje são promovidas pelas nossas economias, causadas por ações humanas, enquanto os impactos enfrentadas pelas populações durante o Holoceno não eram causados pelas alterações que elas faziam diretamente no sistema climático planetário, mas sim resultado de fenômenos naturais", explica o arqueólogo Leonardo Troiano.
"São alterações perceptíveis dentro da escala de tempo humana, tão abruptas e rápidas que as pessoas estavam sentindo, não é em uma escala geológica", afirma o arqueólogo Astolfo Araujo, líder do estudo. "A imprevisibilidade do clima já afetava diretamente os humanos, mesmo aqueles que não dependiam da agricultura."
Há quase uma década, Araújo publicou um artigo com dados paleoambientais que apontavam eventos de seca como a principal causa das imigrações. O avanço das pesquisas e da tecnologia, no entanto, permitiu a descoberta de dados mais recentes que sugerem uma explicação mais detalhada sobre as mudanças no clima entre 8.000 e 4.000 anos atrás que podem ter influenciado as andanças de povos antigos.

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