Chuvas e queda de consumo afastam racionamento em
Fortaleza
Situação ainda é de alerta, mas
racionamento na Capital foi evitado. Além das chuvas e queda de consumo, ações
emergenciais contribuem
01:30 | 02/05/20173690FacebookTwitterGoogle+
Embora
a situação esteja longe de ser confortável, a quadra chuvosa deste ano já levou
aos açudes cearenses o maior aporte de água no intervalo de seis anos — desde o
início da seca que atingiu o Estado nos últimos anos e que igualou a marca como
mais prolongada da história. As chuvas, somadas à redução do consumo de água no
período e a ações emergenciais adotadas ainda não trazem alívio na crise
hídrica. O alerta e as ações de contingência serão mantidos. Mas, pelo menos,
foram suficientes para afastar a ameaça de racionamento na Capital, que chegou
a ser cogitada.
Sobre o assunto
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Agricultura sem irrigaçãoestá melhor que a irrigada
“Nós poderíamos e pensamos e
discutimos, no âmbito do governo, desde 2015 e 2016, a possibilidade de fazer
racionamento. Mas, em vez de simplesmente cortar a água, preferimos buscar
fontes alternativas”, afirmou o secretário estadual dos Recursos Hídricos,
Francisco Teixeira.
No último mês de março, e economia
foi de 13,98% em Fortaleza e Região Metropolitana. O consumo foi o menor desde
2014. “Se a gente perceber as curvas de consumo, percebemos que nas unidades
domiciliares, tínhamos padrão em que cada família usava mais de 14 metros
cúbicos (m³) por mês em 2014. Em 2015 caiu para 13 e em 2016 caiu para 12,1.
Hoje estamos entre 10 e 11. Se conseguimos isso sem racionamento, a meta é
economizar ainda mais usando esses instrumentos”, reforça Teixeira.
O racionamento chegou a ser cogitado
para fevereiro, a depender do prognóstico de chuvas feito em janeiro. Com a
projeção de chuvas em torno da média histórica pela Fundação Cearense de
Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), nova avaliação foi adiada para o
fim da quadra chuvosa. O cenário atual indica que, por ora, restrição mais
drástica não será necessária.
Tendências
O período chuvoso entrou ontem em seu
último mês, quando as precipitações já diminuem de intensidade. Em abril, as
chuvas ficaram 37,8% abaixo do padrão histórico. Foi o primeiro mês dessa
quadra na qual choveu menos que a média dos últimos 30 anos.
Embora os açudes tenham recebido, em
quatro meses, mais água que nos cinco anos anteriores, a situação não é
confortável. “Em secas anteriores, os nossos reservatórios nunca ficaram abaixo
de 20%. Chegamos num risco muito alto de desabastecimento. Ainda estamos abaixo
dos piores níveis dos reservatórios na história”, disse Teixeira.
Ele destaca que os principais açudes
— Castanhão, Banabuiú e Orós — tiveram aportes muito baixos, o que reforça a necessidade
de restrições. “Tivemos algo (melhor) nas bacias metropolitanas, mas Fortaleza
não poderá voltar atrás no padrão de consumo que temos hoje”.
Os números demonstram a continuidade
do alerta. O aporte médio cearense é de 4 bilhões de m³ de água. “Sempre
tivemos anos abaixo dos 4 bilhões, mas depois tínhamos 9,14 e até 19 bilhões de
m³. Agora temos pouco mais de um bilhão, depois de cinco anos com muito menos
do que isso”, reforça o secretário.
O relativo alívio depois de três
meses de chuva não chegou, entretanto, às 12 bacias hidrográficas do Estado.
Basicamente apenas ao norte cearense. De acordo com Teixeira, o aporte nessa
região deverá garantir abastecimento até o início de 2018. O quadro mais
crítico continua, principalmente na região central, nas bacias do Banabuiú e do
Sertão de Crateús, além da região Jaguaribana.
SARA OLIVEIRA
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