Post de Florestal Brasil
A paisagem única dos campos rupestres de Minas Gerais enfrenta um inimigo implacável, plantado pelas mãos do próprio modelo agropecuário. Introduzido na década de 1950 para impulsionar a pecuária extensiva, o capim-braquiária (Urochloa decumbens) escapou das cercas e agora avança de forma descontrolada, sufocando a biodiversidade endêmica da Serra do Cipó.
Guerra Química e o Sequestro da Água
O avanço desta gramínea africana não é apenas físico; é químico. O capim forma um tapete denso e liberta compostos tóxicos no solo (num processo conhecido como alelopatia) que impedem a germinação de qualquer semente nativa.
Além de aniquilar a flora local, a invasora possui raízes tão profundas e volumosas que bloqueiam a infiltração da água da chuva. O resultado imediato é a aceleração da erosão e o sufocamento das nascentes, ameaçando a segurança hídrica da fauna e das comunidades.
O Combustível Perfeito para as Chamas
Como se não bastasse o dano hídrico, a braquiária atua como uma bomba-relógio durante o período de estiagem. A sua biomassa seca acumula-se rapidamente, servindo como o combustível ideal para a propagação de incêndios florestais agressivos e de difícil controle. O ciclo é perverso: enquanto a flora nativa vira cinzas, a herbácea exótica rebrota rapidamente após o fogo, dominando áreas ainda maiores.
O Preço do Descaso
Tentar reverter esta contaminação biológica custa caro aos cofres públicos: a recuperação de apenas um hectare infestado pode ultrapassar os R$ 3.500, exigindo planeamento e monitorização por pelo menos seis anos. O controlo desta ameaça exige a proibição imediata de pastagens exóticas nas zonas de amortecimento das unidades de conservação e mutirões comunitários para arrancar os focos primários antes da floração.
Fonte: Centro de Conhecimento em Biodiversidade
Vídeo nosso sobre 2 braquiária/capim invasores:
Braquiária-do-brejo - https://youtu.be/AO2kDnIQwFo
Capim-gordura - https://youtu.be/nxP8lOXzFcQ
Severino Medeiros
Catástrofe eco ambiental mostra indubitavelmente que o Brasileiro cria pouco, copia mal e corrompe tudo, cancro gerado e alimentado na índole perversa de: levar vantagem e aplicar o jeitinho; com a Natureza não cola, malditos!
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Nilton Santos
Não há saída para a crise ambiental dentro do modo de produção capitalista, o verdadeiro responsável pelo caos.
Dentro do sistema capitalista, é impossível conciliar desenvolvimento econômico com preservação/conservação do meio ambiente e a manutenção das situações que garantam a sobrevivência humana (e das outras formas de vida) no planeta.
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Sabendo disso espera se que haja mudança de comportamento de agricultor para usar a natureza com mais sabedoria e menos ignorância.
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José Geraldo Oliveira Machado
Então qual é o capim que devemos plantar em nossos sítios?
Eu nao sabia que braquiaria causava esse estrago.
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