terça-feira, 28 de março de 2017

Deixa os meteorologistas doidin, doidinhos.

Aquecimento global muda circulação de correntes atmosféricas

Jatos determinam condições meteorológicas; alterações aumentam eventos extremos, como seca e inundações

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Mulher enfrenta tempestade de neve no estado americano do Maine: circulação atmosférica alterada provoca mais eventos extremos - Robert F. Bukaty/AP
RIO — As mudanças climáticas estão reduzindo as correntes de jato que vão do Ártico para os trópicos, responsáveis por determinar as condições meteorológicas do planeta. O enfraquecimento do fluxo de vento aumenta a incidência de eventos extremos, como secas e inundações. Esta dinâmica é descrita em um estudo publicado esta semana na revista “Scientific Reports”.
As correntes de jato dependem do contraste entre a temperatura do Ártico e dos trópicos. Este fluxo é fundamental para a movimentação da umidade e das massas de ar quente e frio pelo planeta — capaz, por exemplo, de dissipar a formação de furacões e tempestades.
O Ártico, no entanto, está cada vez mais quente. Em algumas regiões, sua temperatura está 6,5 graus Celsius acima da média registrada no século passado. Além disso, a superfície terrestre está se aquecendo mais rapidamente do que os oceanos, especialmente no verão.
— A seca sem precedentes de 2016 na Califórnia, a onda de calor de 2011 nos Estados Unidos e a inundação de 2010 no Paquistão estão entre os eventos extremos preocupantes — comenta o autor principal do estudo, Michael Mann, da Universidade Estadual da Pensilvânia. — O aumento da incidência desses fenômenos excede o que classificávamos como os efeitos diretos do aquecimento global. Antes suspeitávamos que a ação humana contribuía para estas alterações. Agora, encontramos nossas impressões digitais.
Analisando séries históricas de temperatura e observações de satélite, a equipe de Mann descobriu fenômenos que mostram mudanças extremas e persistentes no fluxo de jatos aéreos. Estas alterações poderiam desencadear catástrofes naturais.
Pesquisador do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático (PIK), da Alemanha, e coautor do estudo, Stefan Rahmstorf destaca que, a partir de determinada temperatura, o padrão de ventos pode conter seu fluxo e deixar regiões inteiras sob as mesmas condições meteorológicas por um longo período. Assim, eventos climáticos que eram sazonais passam a ser mais frequentes.
— Se o mesmo clima persistir por semanas em uma região, então os dias ensolarados podem se transformar em uma onda de calor grave e seca, ou chuvas duradouras podem levar a inundações — explica. — Não é apenas um problema de conservação da natureza ou de ursos polares. São mudanças rápidas que ameaçam a Humanidade, porque estes eventos climáticos extremos ocorrerão principalmente em regiões densamente povoadas.
Mann e Rahmstorf examinaram dezenas de modelos climáticos. Em quase 70% dos casos, constataram mudanças de temperatura nos momentos em que houve alteração na velocidade e intensidade das correntes atmosféricas.
Coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur ressalta que a pesquisa mostra como as mudanças no Ártico causarão consequências em todas as regiões do planeta.
— As correntes de jato têm uma importância muito grande na dinâmica climática do mundo, mas, para isso, é fundamental que haja uma diferença na temperatura dos hemisférios. As localidades quentes devem separadas das frias — pondera. — Desta forma, a corrente atmosférica tem poder para evitar eventos extremos. Mas, se continuarmos com esta tendência de aquecimento, é possível até que estes fluxos de vento sejam interrompidos frequentemente no futuro.

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