quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

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 João Bosco Gaspar

ANO DE 1714 - MANDU LADINO TENTA INVADIR À ALDEIA DA IBIAPABA – O EMBATE ENTRE TAPUYOS E TABAJARAS. Texto extraído das cartas inéditas escritas em latim pelo jesuíta João Antônio Andreoni (Cartas Annuas de 1714-1716 e 1721). Narra o padre Andreoni, que a revolta indígena levantada entre os anos de 1712-1719 e que ficou conhecida como a <<Revolta dos Tapuyos>>, “exigiu constante sacrifício dos padres residentes na povoação de Ybiapaba com os índios domesticados, e lhes fez correr grande perigo”. PROSSEGUE o padre Andreoni, relatando os fatos ocorridos depois do assassinato do mestre de campo Antônio da Cunha Souto Maior, levado a efeito pelo <<bando de Mandu Ladino>>: “Estes mataram à traição em [rio] Parnahyba o comandante dos soldados que os tratava mal e não lhes pagava o soldo, como também assassinaram a mulher do comandante em chefe, tendo posto em fuga os soldados e sentinelas das fortificações, e matando de manhã cedo os que encontravam indefesos; apoderando-se das armas, pólvora, balas e de quase trezentas espingardas. Esta presa levantou os ânimos guerreiros dos tapuyos, acostumados a antes combater (...) com armas desiguais, servindo-se do arco e da flecha, e assim tendo tirado a estes o seu melhor meio de defesa, resolveram assaltar a povoação de Ybiapaba, a maior de todas naquela região, e confiada à administração dos nossos padres”. PROSSEGUE A NARRATIVA: “Estava ausente o comandante em chefe [Dom Jacó de Sousa e Castro], que fora à Parnahyba com os índios mais esforçados afim de cessar os tumultos, e tendo-se descoberto a resolução dos inimigos [tapuyos], enquanto estes esperavam outros que haviam chamados e passavam inutilmente o tempo a alimentar-se de carne bovina, tiveram os padres ocasião de mandar um mensageiro aos ausentes [Dom Jacó e demais tabajaras], e pedir armas ao governador da Fortaleza [do Siará], ainda que distasse 80 léguas da povoação [de Ybiapaba]”. PROSSEGUE A NARRATIVA: “Neste interim o Superior [da Missão de Ybiapaba], por necessidade, exerceu com denôdo [bravura] o cargo de comandante e chefe dos soldados [tabajaras], já exercitando os índios ao combate e preparando as fortificações, já designando as sentinelas, enviando espias, e procurando mantimentos, ao mesmo tempo que com os outros padres consolavam as mulheres que choravam segundo seu costume e oravam com elas na Igreja, pedindo a Deus não entregasse para serem devoradas pelas feras sanguinárias aqueles que confessavam seu nome. Vendo-se indefesos e expostos aos ataques dos inimigos [tapuyos], os vaqueiros dispersos naqueles campos se refugiaram na povoação [de Ybiapaba] com suas armas e escravos, com o consentimento do Superior [da Missão]. Aumentando assim a força para a resistência, desapareceu entre todos o temor, sendo mortos quase 400 tapuyos, alguns feridos, outros postos em fuga, e outros com grande aflição dos padres reduzidos a cativos pelos comandantes que moviam a guerra”. PROSSEGUE A NARRATIVA: “O que os contristou naqueles meses foi a falta que houve do necessário para a quotidiana celebração do Santo Sacrifício, que dificilmente se oferecia aos domingos. Durante dois anos não aportou um só navio em porto cearense (...) porque não eram enviados de Pernambuco (...). Em meio a tantas calamidades não se interromperam, contudo, os costumes e exercícios da piedade, a pregação, a catequese nem a frequência dos sacramentos. Houve 335 confissões, 228 batizados e 46 casamentos”. O padre Andreoni relata, ainda, a primeira visita feita aos altiplanos da Ibiapaba, pelo padre João Guedes (sucessor do padre Ascenso Gago), em dezembro de 1714, e diz que: “O padre João Guedes visitando a mandado do padre Provincial à povoação de Ybiapaba, onde se contam 3.000 índios e índias, e afastou energicamente da empresa a um estranho <<perturbador, que pretendia dividir a povoação e constituir novos chefes à sua vontade>>, dizendo-se primo do governador dos índios [Dom Jacó de Sousa e Castro], e mostrou-lhes que o cuidado dos índios e das demais coisas daquela povoação [de Ybiapaba] confiadas à Companhia [de Jesus] pelo Rei, dependia só dos padres, tanto no espiritual como no temporal”. Finaliza o padre Andreoni, já na Carta Anua de 1721, que: “Neste ano [1721] os nossos padres que cuidam dos índios residentes na serra da Ybiapaba, conduziram das florestas para os aldeamentos um grande numero de selvagens, quase 5.000 e se esforçaram por reuni-los aos demais habitantes da povoação”.
Fonte: Cartas inéditas escritas em Latim pelo jesuíta João Antônio Andreoni (1714-1721), traduzidas para o português por José Gerardo Ferreira Gomes, a pedido do historiador cearense Barão de Studart. “Documentos da Collecção Studart” da Revista do Instituto do Ceará.
Por João Bosco Gaspar, pós-graduado em História, Cultura e Patrimônio, Tianguá Ceará.
Foto: Imagem de ilustração colhida na Internet, meramente ilustrativa.
Severino Medeiros
Esses registros sobre a relação conflitante entre índios domesticados pelos padres (clero da igreja católica), no caso os tabajaras, Tupis, e os tapuias selvagens, gês, deveriam fazer parte da história(oficial) do Brasil, tendo em vista a nossa miscigenação com portugueses, escravos africanos, e índios locais, sempre em conflito por domínio territorial, fonte de alimentação(abundante) e reprodução, atritos social, cultural e religiosos, que se refletiu em dezenas de movimentos separatistas, com DNA de guerras internas por territórios, sociedade, raças, deuses, crenças, nunca visto com essa amplitude e contundência na formação de qualquer outro povo, país, nação, ainda hoje patente na divisão entre 3 facções políticas - direita, centro, esquerda, em que cada facção briga pelo poder político a qualquer custo, que ideologicamente significa poder econômico, ao se locupletar, pelo acesso governamental, á MOEDA (espécie) do país, na cueca, malas, sacos plásticos, caixa de isopor, bancos, INSS, obedecendo a valores culturais da miscigenação das 3 raças, e INculturas(citadas) que se confunde com virtude: levar vantagem em tudo e aplicar o jeitinho brasileiro, explicito nas violentas atividades futebolísticas, do carnaval e no crime organizado arraigado em todos os níveis sociais BRs, a ponto de confundir, mascarar dados quanto a posição do brasileiro no mundo corruto, depravado, violento.

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