PORQUE O RIO GRANDE DO NORTE É TÃO ATRASADO?!!!
LEIA UM POUCO SOBRE A NOSSA HISTÓRIA!!!
A Capitania do Rio Grande passou a ser administrada pela Capitania de Pernambuco a partir de 1701. Antes desse ano, a capitania estava vinculada diretamente ao governo central (por meio da Capitania da Bahia / Governo-Geral), porém em 1701, por meio de uma carta régia, sua subordinação administrativa e militar foi alterada, ficando sob a autoridade do governador da Capitania de Pernambuco. 
Esse assunto ajuda muito a entender o atraso histórico e os problemas estruturais do Rio Grande do Norte 

A mudança não foi por acaso. Em 1701, a Coroa Portuguesa decidiu subordinar a Capitania do Rio Grande à de Pernambuco por razões práticas e econômicas:
A capitania era:
• Pobre
• Pouco povoada
• Com baixa arrecadação
• Sem estrutura militar forte
Ou seja: não se sustentava sozinha.
Pernambuco, naquele período:
• Era a mais rica da região (açúcar
)
• Tinha elite poderosa
• Possuía tropas, fortificações e aparato administrativo
Para Lisboa, fazia sentido colocar o Rio Grande “debaixo da asa” de Pernambuco.
O litoral potiguar era vulnerável:
• Já tinha sofrido invasões estrangeiras (franceses e holandeses)
• Precisava de defesa integrada
Pernambuco assumia essa função militar.
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Aqui está o ponto-chave 
• Perda de autonomia política
• Governadores e decisões importantes vinham de Pernambuco
• Investimentos iam primeiro para Pernambuco
• O Rio Grande ficou em segundo (ou terceiro) plano
Enquanto Pernambuco crescia com o açúcar, o Rio Grande:
• Ficou dependente da pecuária extensiva
• Sertão cresceu sem infraestrutura
• População espalhada, pouca presença do Estado
É aí que nasce muito do perfil do sertão potiguar.
A elite local:
• Precisava agradar Pernambuco
• Tinha menos poder político próprio
• Demorou mais a se consolidar
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A subordinação do Rio Grande a Pernambuco durou até 1817, quando:
• Ocorre a Revolução Pernambucana
• Portugal desconfia do poder excessivo de Pernambuco
• O Rio Grande do Norte volta a ter administração separada
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O Rio Grande foi subordinado a Pernambuco porque era fraco demais para se manter sozinho — e isso cobrou um preço alto em autonomia e desenvolvimento por mais de um século.
Enquanto Pernambuco:
• Recebia recursos
• Construía vilas, igrejas, estradas e fortalezas
O sertão potiguar servia basicamente para:
• Criar gado 
• Abastecer Pernambuco e a Paraíba
• “Empurrar” a fronteira para o interior
A pecuária foi escolhida porque:
• Se adaptava ao clima seco
• Exigia pouca mão de obra
• Não precisava de grandes cidades
Resultado:
• Fazendas isoladas
• Povoamento disperso
• Poucas vilas estruturadas
Isso explica por que o sertão do RN teve:
• Poucas cidades grandes
• Longas distâncias entre povoados
• Estado quase ausente
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Sem governo presente:
• O dono da terra mandava
• O padre e o coronel resolviam tudo
• Justiça era pessoal, não institucional
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A seca não era novidade, mas:
• Portugal não investia em açudes
• Pernambuco não priorizava o problema do RN
• Não havia política pública regional
Quando a seca vinha:
• O sertanejo ficava sozinho
• Migração, fome e dependência aumentavam
A famosa “indústria da seca” só surge depois — mas o abandono é bem mais antigo.
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Esse contexto criou um povo:
• Resiliente
• Desconfiado do poder público
• Apegado à terra, mesmo sofrendo
A cultura do sertão (vaqueiro, aboio, fé forte, oralidade) nasce da ausência do Estado, não do apoio dele.
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• Pernambuco: açúcar → riqueza → poder político
• Paraíba: intermediária
• Rio Grande do Norte: gado → sobrevivência → dependência
O RN entrou tarde na história “oficial” do Brasil.
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O sertão do RN foi formado para servir, não para crescer — e isso marcou sua economia, sua política e sua cultura até hoje.
Desde o período colonial:
• Pouca presença do governo
• Justiça distante
• Polícia quase inexistente
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No sertão potiguar:
• O grande fazendeiro mandava
• Tinha jagunços armados
• Controlava voto, emprego e proteção
Se alguém:
• Desobedecia
• Rompia acordo
• Questionava poder
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O cangaço não surgiu do nada. Ele foi consequência direta disso tudo.
• Produto da injustiça social
• Alguém perseguido, expulso ou vingado
• Um homem armado num mundo sem lei confiável
Para alguns, bandido.
Para outros, vingador, justiceiro, sobrevivente.
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O RN não foi o berço do cangaço, mas foi rota estratégica:
• Região seca → difícil de perseguir
• Fronteiras com CE e PB → fuga fácil
• Fazendas isoladas → apoio forçado ou negociado
Lampião passou pelo RN em 1927, culminando no ataque a Mossoró.
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Diferente do sertão:
• Tinha elite urbana
• Comércio forte
• Organização civil
Isso mostrou que:
Onde há Estado, organização e cidade estruturada, o cangaço não prospera.
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Para combater o cangaço:
• Criaram as volantes (polícia armada)
• Muitas vezes tão violentas quanto os cangaceiros
• Tortura, execuções e abuso eram comuns
O sertanejo ficava no meio do fogo cruzado.
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Mesmo após o fim do cangaço (1938):
• Cultura da desconfiança
• Valorização da coragem e da honra
• Tendência a resolver conflitos “no braço”
Isso não é “defeito cultural” — é memória histórica.
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Onde o Estado não chega com justiça, alguém chega com arma.
• Litoral era frágil e pobre
• Interior passa a ser ocupado para pecuária
• Grandes sesmarias → poucos donos → muita terra
• Quase nenhum Estado presente
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• Administração vem de fora
• Pouco investimento
• Sertão cresce sem cidades fortes
Secas já existiam, mas eram vistas como:
“castigo de Deus”, não problema político.
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• RN volta a ter autonomia administrativa
• Mas o sertão continua esquecido
• Secas devastadoras (especialmente 1877–79)
Resultado:
• Morte em massa
• Migração forçada
• Dependência dos coronéis
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Para onde o sertanejo foi?
• Zona da Mata (açúcar)
• Amazônia (borracha)
• Sudeste (SP, RJ)
• Capitais do Nordeste
Não era sonho — era necessidade.
Quem ficava?
• Os mais pobres
• Os dependentes dos grandes donos de terra
• Quem não tinha para onde ir
Isso reforça:
• Clientelismo
• Voto de cabresto
• Poder local concentrado
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• Estado fraco
• Justiça privada
• Armas abundantes
O cangaço surge como:
• Defesa
• Vingança
• Sobrevivência armada
O RN vira rota, não centro — mas sente o impacto.
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• Cidade organizada
• Elite urbana
• Resistência civil
Onde há organização, o cangaço não se cria.
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• Açudes, DNOCS, obras contra a seca
• Mas políticas muitas vezes:
• Eleitoreiras
• Mal distribuídas
• Dependentes do coronel local
Nasce a chamada “indústria da seca”:
• A seca vira negócio
• O sofrimento vira moeda política
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No povo:
• Resiliência
• Desconfiança do poder público
• Valorização da honra e da palavra
Na política:
• Personalismo
• Dependência de líderes locais
• Estado ainda desigual no interior
No território:
• Poucas cidades médias fortes no sertão
• Migração contínua
• Concentração de serviços no litoral
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O sertão do RN não foi pobre porque é seco — foi pobre porque foi governado à distância e esquecido de perto.
LIGAÇÃO DIRETA COM O RN DE HOJE
• Herança colonial
• Investimento histórico desigual
• Estado sempre mais perto do mar que do sertão
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Sim.
• Jovens saem por falta de oportunidade
• Interior envelhece
• Serviços seguem concentrados
Muito.
• Personalismo
• Dependência de líderes locais
• Obras ainda usadas como moeda política
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A seca continua climática,
mas seus efeitos ainda são políticos.
Onde há:
• Água
• Estrada
• Escola
• Saúde
O sertanejo fica.
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O sertão potiguar não pede favor — pede o que nunca teve: presença constante do Estado.




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